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Controle de cheias
Desde os primórdios da civilização, as populações preferem se instalar à beira de córregos e rios, sujeitando-se com isso a sofrer as consequências de inundações. Tal realidade requer a adoção de mecanismos de controle de enchentes na forma de barragens e reservatórios no âmbito das bacias hidrográficas, cujos projetos devem levar em conta o volume previsto de chuvas e os locais de crescimento populacional.
Quando concebidos para esta finalidade, reservatórios de acumulação de água podem ser utilizados eficazmente para regular os níveis dos rios e assim conter enchentes a jusante por meio do armazenamento temporário do volume adicional de água para descarga posterior.
Em outras palavras, uma forma eficiente de controle de enchentes consiste na implantação de reservatórios de acumulação de água, a serem geridos de forma integrada para regular o armazenamento e a vazão em uma bacia hidrográfica. Para tanto, cada barragem é operada prevendo a redução do nível dos reservatórios antes da estação chuvosa, criando um espaço de armazenamento– o chamado “volume de espera”. Essa estratégia permite o armazenamento das vazões excedentes em períodos de chuva intensa e minimiza as enchentes.
Outra alternativa de defesa contra possíveis inundações é a retificação e canalização de cursos d’água. Esse processo é localmente eficiente pois gera um aumento do gradiente hidráulico e o escoamento se processa com maior velocidade já que o percurso é menor e com menos curvas. A canalização costuma introduzir paredes e fundos com menor rugosidade que introduzem menores perdas de carga e, consequentemente, também maiores velocidades. Maiores velocidades de escoamento ocasionam tirantes menores e, consequentemente, menores inundações. Entretanto, retificações e canalizações diminuem apenas localmente o risco de enchentes, e, ao acelerar o escoamento, pioram os riscos de inundações a jusante. Barragens específicas para controle de cheias permanecem com reservatórios vazios a maior parte do tempo e só enchem com a chegada de uma cheia que é liberada. A água da cheia é liberada de maneira abatida por um descarregador de fundo ou de superfície, adequadamente dimensionado. Esse processo que quase independe de operador, promove abatimento do pico da hidrógrafa afluente à barragem, protegendo a região a jusante.
Tem-se ainda como alternativa a proteção de áreas por polders (diques) envolvem as áreas a serem protegidas. Em condições frequentes, polders permanecem sem retenção de água dos seus dois lados, interno e externo. Normalmente são equipados com estações de recalque para que, sob fortes precipitações, a água acumulada internamente seja bombeada para fora da área protegida. O exemplo mais característico no Brasil é o polder de mais de 60 km de extensão implantado em 1970 pelo DNOS, para prover eficiente defesa de Porto Alegre que havia sofrido pesada inundação devido à grande cheia que ocorreu em 1941. Os anos passaram, a memória apagou as consequências desta grande cheia, a ponto de haver pressão para demolição da estrutura para fins paisagísticos. Além disso, na década de 90, o DNOS foi desativado e a manutenções dos equipamentos do polder passaram a ser relegadas em importância. Em 2024, ocorreu uma cheia pouco mais intensa do que a de 1941, e, caso as estruturas e equipamentos do polder tivessem tido manutenção, a inundação em Porto Alegre neste ano não teria tido a magnitude observada.
Dentro do processo de melhoria de condições ao enfrentamento de enchentes, é necessário que se leve em conta as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, se eleve o padrão de proteção a ser estabelecido, o que inclui o zoneamento mais rígido de terras.
Aspecto relevante no controle de enchentes reside na previsão meteorológica, considerando a rapidez com que ocorrem as mudanças climáticas. São úteis a este fim os radares meteorológicos para monitoramento de chuvas, modelos hidrológicos computadorizados que permitam previsões em tempo real para as descargas operacionais das barragens e a previsão das vazões dos diversos rios em uma bacia hidrográfica, permitindo com isso a emissão de alertas tempestivos pela defesa civil e até evacuações prévias de populações.
Fontes: adaptado de ICOLD-CIGB, 2007 e position Papers do CBDB e da Academia Nacional de Engenharia em 2024

Barragem Oeste de Taió - Leo Munhoz - Ano da foto: 2024
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